Recentemente, o Ministério da Saúde do Brasil emitiu um alerta sobre a possibilidade de reintrodução do sarampo no país, especialmente devido ao grande fluxo de viajantes durante a Copa do Mundo de 2026. A nota técnica destacou a alta transmissibilidade da doença nas Américas, alertando que o retorno de viajantes ou a chegada de estrangeiros infectados poderia aumentar o risco de surtos.
Em resposta, a pasta recomendou a administração da dose zero da vacina tríplice viral em crianças de 6 a 11 meses, visando reforçar a proteção contra o sarampo, especialmente em uma faixa etária vulnerável. Na mesma época, a zona norte de São Paulo já havia registrado três casos da doença em crianças menores de 2 anos, e atualmente, a Secretaria de Saúde do estado confirma pelo menos 23 casos em 2026.
O que é o sarampo?
O sarampo é uma infecção viral altamente contagiosa, que historicamente foi uma das principais causas de morte infantil em todo o mundo. Apesar dos avanços na vacinação, a doença ainda representa um desafio significativo para a saúde pública, especialmente em áreas com baixa cobertura vacinal.
Como ocorre a transmissão e como prevenir?
O vírus do sarampo se espalha de pessoa para pessoa, principalmente pelo ar, através de tosse, espirros, fala ou respiração. Uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas próximas que não estão imunizadas. A transmissão pode ocorrer entre seis dias antes e quatro dias após o surgimento das manchas vermelhas características da doença.
Sinais e sintomas do sarampo
Os sintomas mais comuns incluem febre alta (acima de 38,5 graus) e manchas vermelhas que aparecem inicialmente no rosto e atrás das orelhas, espalhando-se pelo corpo em poucos dias. Outros sinais incluem tosse seca, irritação nos olhos e mal-estar intenso. A febre persistente é um sinal de alerta, especialmente em crianças menores de 5 anos.
Complicações associadas
O sarampo pode levar a complicações graves, como pneumonia, que afeta cerca de 1 em cada 20 crianças infectadas, e otite média aguda, que pode resultar em perda auditiva. Em casos raros, a encefalite aguda pode ocorrer, com uma taxa de mortalidade de 10%. A mortalidade por sarampo pode variar de 1 a 3 em cada mil crianças afetadas.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico do sarampo pode ser clínico, baseado nos sintomas, mas o ideal é que seja confirmado laboratorialmente. Não há tratamento específico para a doença; o foco é aliviar os sintomas e manter a hidratação e nutrição adequadas. O uso de antibióticos é contraindicado, a menos que haja infecções secundárias.
Vacinação contra o sarampo
A vacinação é a principal forma de prevenção do sarampo. Existem diferentes tipos de vacinas disponíveis, como a dupla viral, a tríplice viral e a tetraviral, cada uma oferecendo proteção contra diferentes vírus. A vacinação é recomendada para todas as pessoas de 12 meses a 59 anos, e adolescentes e adultos não vacinados devem completar seu esquema vacinal conforme as diretrizes do Calendário Nacional de Vacinação.
Em situações de surto, pode ser necessário administrar a vacina em crianças de 6 meses a menos de 1 ano. A Sociedade Brasileira de Imunizações considera que um indivíduo está protegido após receber duas doses da vacina, com um intervalo mínimo de um mês entre elas, a partir dos 12 meses de idade.
Em resumo, o sarampo é uma doença grave e altamente contagiosa, mas que pode ser prevenida com a vacinação adequada. É fundamental que a população esteja atenta aos sinais e sintomas e busque a vacinação para garantir a proteção individual e coletiva.
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