O Ministério da Saúde anunciou um investimento de R$ 17 milhões para a formação de 760 enfermeiros obstétricos, que estão sendo capacitados através do curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica da Rede Alyne. Este curso, que teve início em novembro de 2025, é voltado para profissionais com pelo menos um ano de experiência na saúde da mulher dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).
Com apenas 13 mil enfermeiros obstétricos registrados no Brasil, a necessidade de aumentar essa quantidade é evidente. Atualmente, apenas 46% desses profissionais estão vinculados a instituições de saúde registradas, o que evidencia a carência de especialistas na área. Em comparação, países que adotam um modelo de assistência baseado na enfermagem obstétrica apresentam uma densidade de profissionais que varia de 25 a 68 por mil nascidos vivos, enquanto no Brasil esse número é de apenas cinco.
Os enfermeiros obstétricos desempenham um papel crucial na saúde das mulheres durante a gravidez, parto e pós-parto, promovendo um atendimento mais humanizado e seguro. Eles realizam exames, auxiliam no parto e cuidam do recém-nascido, colaborando com médicos para garantir um atendimento de qualidade.
Renné Costa, conselheiro do Cofen, destaca que a medida é positiva, pois a escassez de enfermeiros obstétricos no Brasil é alarmante. Ele observa que, enquanto no Brasil há um enfermeiro obstétrico para cada quatro médicos, em outros países essa proporção é de quatro enfermeiros para um médico. A presença desses profissionais é fundamental para garantir um parto mais natural e menos intervenções desnecessárias, que podem levar a complicações.
A cultura em torno do parto no Brasil é um desafio. O parto natural é frequentemente visto como uma opção para aqueles que não podem pagar por um parto cesáreo, que é considerado mais confortável. Essa percepção é reforçada pela representação do parto nas mídias, que muitas vezes retratam o parto natural como um processo doloroso e arriscado.
Renné Costa enfatiza a importância de preparar as mulheres para que possam discutir suas preferências de parto com a equipe de saúde desde o pré-natal. Ele acredita que a presença de enfermeiros obstétricos não deve se restringir apenas às casas de parto, mas também deve ser uma referência na atenção básica, ajudando a desmistificar o parto normal e promovendo um ambiente de apoio e informação.
A formação de novos enfermeiros obstétricos é um passo importante, mas ainda é insuficiente para atender a demanda do país. A experiência de Renné Costa, que viu a realidade de seu município mudar após sua especialização, é um exemplo do impacto positivo que esses profissionais podem ter na assistência às mulheres.
A médica Margareth Portella, coordenadora materno-infantil da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, também reconhece a importância dos enfermeiros obstétricos, afirmando que eles são essenciais para o atendimento de partos de baixo risco. Ela ressalta que, embora a formação teórica seja fundamental, a prática é igualmente importante para garantir a segurança das parturientes.
Valéria Monteiro, uma mãe que teve uma experiência positiva com a assistência de uma enfermeira obstétrica, compartilha como esse acompanhamento a ajudou a ter um parto normal tranquilo. Ela recomenda que todas as gestantes busquem esse tipo de assistência.
A Rede Alyne, lançada em setembro de 2024, visa reestruturar a assistência materno-infantil no Brasil, com o objetivo de reduzir a mortalidade materna e garantir um atendimento de qualidade às gestantes e seus bebês. O projeto é uma homenagem a Alyne Pimentel, que morreu devido a negligência médica, e reflete o compromisso do governo em enfrentar as desigualdades na saúde.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância da Rede Alyne para garantir que as mulheres recebam um tratamento digno durante a gestação e o parto.
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