A desinformação sobre o HIV é um obstáculo significativo que impede o tratamento adequado e perpetua o preconceito. Uma pesquisa internacional da iniciativa Tackle HIV revela que a falta de combate ao estigma social pode resultar em até 440 mil mortes evitáveis nesta década.
Gareth Thomas, um dos idealizadores do projeto, destaca que o medo gerado pelo preconceito afeta a sociedade de diversas maneiras: desde a hesitação em realizar testes até a relutância em iniciar o tratamento. Apesar dos avanços científicos notáveis, o receio continua a afastar as pessoas da testagem e do tratamento.
Embora as novas infecções e as mortes relacionadas à Aids tenham diminuído globalmente, o Brasil registrou 39.216 novos casos de HIV em 2025, com a maioria das infecções ocorrendo na região sudeste. Thomas enfatiza a importância de entender as respostas locais a essa questão, adaptando as soluções às necessidades específicas de cada região.
A pesquisa também revelou que 36% dos brasileiros acreditam que homens héteros não estão em risco de contrair HIV, e 37% têm a mesma crença em relação às mulheres heterossexuais. Apenas 48% dos entrevistados já realizaram o teste de HIV, e muitos que consideraram fazê-lo não se viam em risco.
Além disso, 19% ainda pensam que pessoas vivendo com HIV não podem ter uma vida sexual ativa, enquanto apenas 29% sabem que aqueles sob tratamento eficaz e com carga viral indetectável não transmitem o vírus durante relações sexuais.
O Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids, alinhado à Agenda 2030, estabelece metas para erradicar a Aids como uma ameaça à saúde pública. Países como Botsuana e Ruanda já alcançaram as metas “95-95-95”, que garantem que a maioria das pessoas vivendo com HIV conheçam seu status e estejam em tratamento.
O Brasil, por sua vez, atingiu a primeira meta em 2020, com 95% das pessoas cientes de seu diagnóstico. Recentemente, o Governo Federal manifestou interesse na profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável, uma nova abordagem para prevenir a infecção.
A Tackle HIV, campanha global criada por Gareth Thomas, visa combater o estigma e a desinformação sobre o HIV. Thomas, que se declarou homossexual em 2009 e compartilhou seu diagnóstico de HIV em 2019, enfatiza que um teste positivo não é mais uma sentença de morte, mas sim um convite para iniciar o tratamento e viver plenamente.
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