No Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de setembro, o cardiologista Renato Jorge Alves, vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), enfatiza a importância da prevenção para evitar problemas cardiovasculares.
Em uma entrevista à Agência Brasil, ele mencionou um estudo recente que sugere que todos devem realizar a dosagem do colesterol a partir dos 10 anos. “Recomendo que todos façam um exame preventivo de colesterol, juntamente com o de glicose”, disse.
Alves também ressaltou a necessidade de adotar hábitos saudáveis para evitar que outros fatores de risco se acumulem com o colesterol elevado, aumentando a probabilidade de infarto. Caso os exames indiquem níveis altos de colesterol, é crucial buscar acompanhamento médico e seguir o tratamento recomendado.
Ele alertou contra a busca por médicos que desaconselham o uso de medicamentos para controle do colesterol, afirmando que essa é uma ideia equivocada. “Interromper o tratamento pode aumentar o risco de complicações”, destacou. Assim como no caso de diabetes e hipertensão, o colesterol tende a subir novamente se a medicação for suspensa.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia também adverte que o colesterol elevado está ligado a hábitos de vida que afetam não apenas a saúde do coração, mas o metabolismo em geral. Alves criticou a dieta carnívora, que se baseia exclusivamente em carne e exclui alimentos vegetais, afirmando que essa abordagem não é eficaz para a redução do colesterol.
“Essa dieta é uma invenção”, afirmou. Ele defendeu uma alimentação equilibrada, que inclua proteínas, carboidratos e gorduras em proporções adequadas. Para aqueles com colesterol elevado, é aconselhável limitar o consumo de carne vermelha, pois isso pode agravar os níveis de LDL, o colesterol ruim. Além disso, essa dieta pode aumentar o ácido úrico e favorecer a formação de placas de gordura nas artérias, elevando o risco cardiovascular.
Alves destacou que a primeira medida para controlar o colesterol deve ser uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos. É importante evitar o excesso de gordura saturada, presente em carnes vermelhas, chocolates e embutidos, assim como a gordura trans, encontrada em alimentos ultraprocessados. “A gordura trans é a pior de todas”, afirmou.
Ele explicou que mudanças na dieta podem reduzir o colesterol entre 5% e 10%, uma vez que cerca de 70% do colesterol é produzido pelo corpo. Quando os níveis ultrapassam 300 mg/dL, é provável que haja uma origem genética, exigindo tratamento medicamentoso além das mudanças no estilo de vida.
A prática de atividades físicas é igualmente crucial, com recomendações de 150 a 300 minutos de exercícios por semana. Alves também mencionou que a qualidade do sono afeta o metabolismo; noites mal dormidas podem contribuir para o aumento do colesterol e dos triglicerídeos, que estão associados à inflamação das artérias.
O estresse, por sua vez, pode elevar a pressão arterial e dificultar o controle do colesterol. Nos casos de hipercolesterolemia genética, o tratamento geralmente envolve o uso de estatinas, que devem ser prescritas por um médico. Alves enfatizou que os pacientes não devem interromper esse tratamento e, se necessário, outros medicamentos podem ser adicionados para alcançar as metas de colesterol estabelecidas.
Ele lamentou a disseminação de informações incorretas nas redes sociais sobre estatinas, afirmando que muitos acreditam que o colesterol não existe ou que as estatinas são prejudiciais, o que não é verdade. As evidências científicas sobre os benefícios das estatinas são robustas e datam de mais de 30 anos.
Alves também chamou a atenção para a hipercolesterolemia familiar, uma condição genética que pode levar a níveis extremamente altos de colesterol desde a infância, resultando em casos de infarto em crianças de apenas 10 anos. O diagnóstico precoce e o início do tratamento são fundamentais para aumentar a sobrevida desses pacientes.
A obesidade, frequentemente associada à síndrome metabólica, também é um fator de risco significativo. Embora a obesidade não seja um sintoma inicial da hipercolesterolemia familiar, ela pode se desenvolver mais tarde devido a fatores de estilo de vida.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, infarto e AVC continuam a ser as principais causas de morte no Brasil e no mundo. Alves destacou que colesterol elevado, diabetes, tabagismo e hipertensão são os principais fatores de risco para essas doenças, com a obesidade se tornando cada vez mais relevante.
O especialista concluiu que a obesidade provoca um estado inflamatório crônico que pode instabilizar as placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto. Outras doenças inflamatórias crônicas, como lúpus e artrite reumatoide, também podem contribuir para alterações nas artérias, embora em menor escala.
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