Atendimento médico é levado a comunidades ribeirinhas no Amazonas com novo projeto

| Redação
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Aldeniza Silva e Silva, grávida de sete meses e moradora da comunidade ribeirinha de Boa Vista, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari, enfrentava uma longa jornada para conseguir atendimento médico. Para consultas, ela precisava viajar até a zona urbana de Carauari, o que poderia levar de dois a três dias de rabeta, dependendo das condições do rio.

Na cidade, como os ribeirinhos chamam a área urbana, Aldeniza só conseguiu realizar três consultas de pré-natal, quando o ideal seria um mínimo de seis, conforme recomenda o Ministério da Saúde. Essa realidade é comum entre milhares de ribeirinhos que habitam a zona rural de Carauari, uma cidade com cerca de 28 mil habitantes, segundo o IBGE.

Localizada a mais de 1,6 mil quilômetros de distância da capital do Amazonas, a cidade é cercada por comunidades ribeirinhas que estão a dias de distância da zona urbana. Maria Valkiane Freitas e Silva, outra moradora da região, também enfrenta um longo percurso de cerca de 12 horas para chegar à cidade.

Recentemente, a inauguração de dois pontos de atendimento à saúde nas bases da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) nas regiões de Campina e Bauana trouxe alívio para essas comunidades. Aldeniza agora pode realizar seu pré-natal no posto de Campina, reduzindo significativamente a distância que precisava percorrer.

“Agora é só uma praia”, disse Aldeniza, que também levou sua filha ao atendimento médico. A estrutura dos novos postos foi adaptada à realidade local, com consultórios para atendimentos presenciais e remotos, além de áreas para a equipe de saúde.

Integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS), os novos pontos de saúde são resultado de uma parceria público-privada, chamada SUS na Floresta, que visa fortalecer a atenção primária à saúde nas comunidades ribeirinhas. Guilherme Sylos, diretor do IDIS, destacou que o objetivo é reforçar a estrutura do SUS, não criar uma nova.

Com a inauguração, rumores sobre a instalação de mais pontos de saúde já circulam entre as comunidades. A ribeirinha Cecilia Bispo de Lima, da comunidade São Francisco, expressou alívio com a proximidade do atendimento. “Caso a gente adoeça, tem um meio melhor para a gente ser atendido”, afirmou.

Os novos postos não apenas oferecem tratamento, mas também ajudam na prevenção de doenças e na vacinação. Luana do Carmo da Gama, por exemplo, levará seu filho para ser imunizado. “Vai ser ótimo para nós”, disse.

Antes da inauguração, os moradores enfrentavam longas viagens para atendimento básico. Em situações graves, a prefeitura disponibiliza lanchas de resgate, mas agora, com os novos pontos, a expectativa é que muitos atendimentos possam ser realizados localmente.

Os dois novos pontos de saúde foram inaugurados recentemente e devem atender 56 comunidades ribeirinhas, beneficiando cerca de 4,7 mil pessoas. O projeto SUS na Floresta, iniciado em 2020, visa garantir que essas populações tenham acesso a cuidados de saúde, mesmo em situações excepcionais.

Ao todo, serão seis pontos de atendimento, com planos para mais unidades em outras localidades. A iniciativa busca adaptar a atenção à saúde às necessidades específicas de cada comunidade, promovendo um direito universal à saúde.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-07/projeto-leva-atendimento-medico-comunidades-ribeirinhas-do-amazonas