No dia 1º de julho, a saúde indígena no Brasil recebeu um importante reconhecimento com o lançamento do livro “15 anos de História e Luta: Memórias, Caminhos e Futuro”. Este evento, realizado no Auditório Emílio Ribas em Brasília, contou com a presença de líderes indígenas, autoridades e parceiros que apoiaram a evolução dessa política pública voltada aos povos originários.
Mais do que um simples registro histórico, a obra destaca a criação da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) como um marco fundamental na responsabilidade do Estado em oferecer uma atenção à saúde que seja integral, universal e equitativa. O livro revisita a implementação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) e da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (Pnaspi), enfatizando um modelo que valoriza o diálogo intercultural e a participação ativa dos indígenas.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou que a publicação preserva a memória de uma conquista coletiva e reafirma o compromisso do governo brasileiro com a saúde dos povos indígenas. Em um artigo presente na obra, ele destaca a importância de um SasiSUS que seja cada vez mais robusto e capaz de oferecer cuidados de qualidade em todos os territórios.
Nos últimos 15 anos, a Sesai se organizou em 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei), que funcionam como unidades gestoras descentralizadas. Além disso, houve um fortalecimento das equipes multidisciplinares, das Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) e das Casas de Apoio à Saúde Indígena (Casai), sempre respeitando as particularidades culturais e territoriais dos povos indígenas.
Durante o lançamento, a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, ressaltou que cada página do livro é um testemunho da luta de quem enfrenta desafios como rios, florestas e longas distâncias para garantir dignidade e cuidado. Ela destacou que a saúde indígena é uma política de Estado construída com diálogo e respeito à diversidade.
O livro também menciona avanços recentes, como o programa Agora Tem Especialistas, a expansão da telessaúde e investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Um aspecto crucial é a atuação junto a povos isolados, que deve respeitar o princípio do não-contato para proteger a autodeterminação e a saúde desses grupos.
Desafios como a emergência sanitária no território Yanomami e os impactos das mudanças climáticas são abordados na publicação. A integração entre a biomedicina e as medicinas indígenas é vista como essencial para o futuro, com iniciativas que já demonstram essa evolução.
Para as lideranças que têm atuado desde o início, a autonomia é fundamental. Megaron Txucarramãe, da TI Capoto Jarina, expressou seu desejo de que a administração indígena nos distritos continue a se fortalecer. Ele acredita que os indígenas estão se preparando para assumir a saúde indígena, com cursos de medicina voltados para suas realidades.
A Secretaria de Saúde Indígena conta com gestores indígenas em posições de liderança, incluindo a secretária adjunta Putira Sacuena e a secretária Lucinha Tremembé. Lucinha finaliza dizendo que o livro aponta para um futuro em que a saúde indígena seja cada vez mais fortalecida, com participação social e valorização dos saberes tradicionais.
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