A Fundação do Câncer alerta que o melanoma não se limita à pele. Essa neoplasia maligna, originada nos melanócitos, pode surgir em locais como olhos, mucosas e órgãos internos, tornando-se mais agressiva e com maior potencial de metástase.
O boletim Análises e Tendências em Câncer, em sua 12ª edição, traz à tona a importância de reconhecer o melanoma, que pode aparecer fora da pele. O conhecimento é fundamental para a prevenção e diagnóstico precoce, além de auxiliar na formulação de políticas de saúde que salvam vidas.
Os dados epidemiológicos revelam que, entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o tratamento inicial mais comum para o melanoma de pele, representando 84,7% dos casos. A Região Sudeste lidera em cirurgias, enquanto o Norte apresenta os menores índices.
O acesso ao tratamento oncológico é um desafio, especialmente no Centro-Oeste, onde 20,2% dos pacientes precisam se deslocar para receber cuidados. A Fundação do Câncer destaca a necessidade de uma articulação eficaz entre diferentes especialidades médicas para enfrentar o melanoma.
Além da cirurgia, a quimioterapia é uma opção de tratamento, e a imunoterapia tem mostrado resultados promissores, aumentando a taxa de resposta em pacientes com melanoma avançado. No entanto, o alto custo desses medicamentos ainda é uma barreira significativa para muitos pacientes do SUS.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) observa que, embora a imunoterapia tenha revolucionado o tratamento, as evidências para o melanoma extracutâneo ainda são limitadas. A legislação atual busca ampliar o acesso a esses tratamentos, mas a implementação prática ainda está em discussão.
Os dados do estudo indicam que, entre 1990 e 2021, foram registrados 1.324 novos casos de melanoma extracutâneo no Brasil, com a maioria dos casos oculares. O diagnóstico precoce é crucial, pois muitos sintomas iniciais podem passar despercebidos.
A exposição à radiação UV é o principal fator de risco para o melanoma de pele, que, apesar de ser menos frequente, é altamente agressivo. O Inca registrou 2.047 mortes por melanoma de pele em 2023, com uma taxa de mortalidade que varia entre homens e mulheres.
As regiões do Brasil apresentam disparidades na incidência e mortalidade do melanoma, com o Sul tendo as maiores taxas. O Inca projeta 9.360 novos casos de melanoma de pele para este ano, destacando a necessidade de políticas públicas eficazes para enfrentar essa doença.
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