O Brasil continua livre da circulação endêmica do sarampo. Para garantir que o vírus não retorne, o Ministério da Saúde, em colaboração com estados e municípios, está intensificando as ações de vigilância e vacinação. Nesta quarta-feira (4), ocorre o Dia S, uma mobilização nacional focada na busca ativa de casos suspeitos, visando aumentar a identificação de possíveis infecções, especialmente em face dos surtos em outros países das Américas.
A busca ativa envolve equipes de saúde que trabalham para localizar casos suspeitos ou confirmados que ainda não foram detectados ou que não procuraram os serviços de saúde. Durante o Dia S, os profissionais reforçam a vigilância epidemiológica em diversas comunidades, instituições e laboratórios. As ações incluem visitas a residências, escolas, creches, templos religiosos e unidades de saúde, em busca de indivíduos com sinais e sintomas compatíveis com sarampo e rubéola.
Além disso, são revisados os registros de atendimento dos serviços de saúde e realizados exames laboratoriais em amostras que inicialmente foram investigadas para outras doenças. Essa abordagem amplia a capacidade de detecção precoce e permite uma resposta rápida para interromper a transmissão do vírus.
Esta é a segunda mobilização nacional de busca ativa realizada em 2026, seguindo a primeira em março. O cenário atual é bem diferente do que foi observado em 2019, quando o Brasil registrou mais de 20 mil casos e perdeu a certificação de país livre da circulação endêmica do sarampo.
Ações como o Dia S, os Dias D de vacinação, a intensificação da vigilância, a garantia da oferta de vacinas e o engajamento de estados e municípios têm sido fundamentais para manter o país livre da circulação endêmica da doença. Essas medidas possibilitaram ao Brasil recuperar, em 2024, o certificado de eliminação da doença, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
No próximo sábado (7), o Ministério da Saúde, em parceria com equipes locais, realizará um Dia D de vacinação contra o sarampo na região da tríplice fronteira, em colaboração com Colômbia e Peru. Essa área apresenta um risco elevado de disseminação devido ao intenso fluxo de pessoas e à proximidade de eventos internacionais. A iniciativa visa aumentar a proteção da população e fortalecer a capacidade de resposta dos três países.
Atualmente, os casos registrados no Brasil são importados, ou seja, a infecção ocorre fora do país, ou estão relacionados a contatos de casos importados. Até agora, foram confirmados 65 casos: 41 em São Paulo, 21 no Amazonas, dois no Acre e um no Rio de Janeiro.
As ações de vigilância e vacinação são cruciais diante do cenário epidemiológico nas Américas, que contabiliza mais de 57,1 mil casos e 80 óbitos pela doença. No Peru, país vizinho, foram registrados 2,7 mil casos e um óbito. A mobilização também atende à recomendação da Comissão Regional de Monitoramento e Reverificação da Eliminação do Sarampo e da Rubéola da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
A vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo e está disponível gratuitamente no SUS para pessoas de 12 meses a 59 anos, conforme as diretrizes do Programa Nacional de Imunizações. Neste ano, mais de 16 milhões de doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, foram distribuídas para atender à demanda nacional.
Quem possui doses em atraso deve procurar uma unidade de saúde para verificar sua situação vacinal e atualizar a caderneta, se necessário. Manter altas coberturas vacinais e fortalecer a vigilância epidemiológica são medidas essenciais para proteger a população e evitar que casos importados resultem na circulação sustentada do vírus no Brasil.
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