Sentir falta de ar ao subir escadas não é apenas um sinal de falta de condicionamento físico. Em um alerta recente, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) destacou a importância do Dia Nacional de Conscientização sobre a Insuficiência Cardíaca, uma condição que já afeta aproximadamente 1,7 milhão de brasileiros.
Os sintomas mais comuns incluem dificuldade para respirar durante atividades físicas, cansaço excessivo e retenção de líquidos. Esses sinais podem facilmente ser confundidos com os efeitos do sedentarismo ou do envelhecimento. No entanto, o cardiologista Marcus Simões, membro da SBC, enfatiza a necessidade de consultar um especialista.
“Durante a atividade física, o coração é exigido. Quando a musculatura é forçada, ela precisa de mais sangue, e o coração deve bombear mais. É nesse momento que o coração geralmente revela suas dificuldades”, explica.
A insuficiência cardíaca é mais prevalente entre idosos e mulheres. Simões, que coordena as diretrizes brasileiras sobre a doença, observa que essa condição frequentemente se origina de outras doenças cardíacas, como sequelas de infartos.
“Ela também pode surgir devido a problemas nas válvulas cardíacas ou a doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, que danificam gradualmente o músculo cardíaco. Além disso, existem doenças regionais, como a doença de Chagas”, complementa o especialista.
Como resultado, o coração não consegue realizar adequadamente a função de receber e bombear sangue para os tecidos do corpo, levando ao surgimento dos sintomas, conforme explica o médico.
A insuficiência cardíaca pode ser a primeira indicação de várias doenças graves. “O paciente pode enfrentar múltiplas internações, pois a condição pode descompensar, apresentando um risco de mortalidade de 30% a 50% em cinco anos”, alerta Marcus Simões.
O diagnóstico é geralmente realizado por meio de uma avaliação clínica, complementada por exames simples. “Para diferenciar e confirmar o diagnóstico, utilizamos raio-x de tórax, ecocardiograma, ultrassonografia do coração e exames de sangue que medem biomarcadores”, detalha.
Além disso, a insuficiência cardíaca pode ser gerida com medicamentos, que são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde. Contudo, a interrupção do tratamento pode levar a um quadro agudo, frequentemente necessitando de internação.
A SBC informa que cerca de 25% das descompensações ocorrem devido à interrupção do tratamento. A piora da condição também pode ser provocada por infecções, arritmias, hipertensão, infartos e miocardite.
Outro aspecto crucial para o controle da doença é a reabilitação física: “Tanto o coração quanto os músculos esqueléticos precisam de atividade física. O objetivo é aliviar os sintomas, tratar a insuficiência cardíaca e a doença subjacente, permitindo que o paciente realize exercícios de forma gradual e progressiva, recuperando assim sua qualidade de vida.”
Essas diretrizes serão incorporadas na nova orientação brasileira para o tratamento da insuficiência cardíaca, que será divulgada em outubro. O documento reunirá as evidências científicas mais recentes para guiar a prática clínica dos médicos no Brasil e será apresentado durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, no Rio de Janeiro.
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